quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Sericá

Doce tradicional português, originário da região de Elvas.
È também chamado de Sericaia, e é normalmente acompanhado por ameixas de Elvas em calda, uma delicia!
Antigamente era cozido nos fornos dos padeiros, os únicos que garantiam a temperatura elevada de que necessita para abrir fendas.
O meu forno, mesmo sendo novinho, não vai além dos 250º por isso as fendas no meu doce apenas ameaçaram aparecer, mas não deixou de estar uma perdição.

Versão de impressão e arquivo desta receita: aqui



Usei:

5 dl de leite
65g de farinha de trigo sem fermento
6 ovos
250g de açúcar
1 tira de casca de limão
1 pau de canela
2 c chá de canela em pó
1 pitada de sal

Fiz assim:

Batem-se as gemas com o açúcar até se obter um creme fofo.
À parte dissolve-se a farinha no leite que foi previamente fervido com a casca de limão, o pau de canela partido em pedaços e o sal.
Adiciona-se o creme de gemas e mexe-se.
Leva-se a engrossar sobre lume brando. Retira-se do calor e deixa-se arrefecer.
Batem-se as claras em castelo e juntam-se cuidadosamente ao preparado anterior, que nesta altura deverá estar frio ou ligeiramente morno.
Tem-se um prato de barro, ou outro que possa ir ao forno, e deita-se aí o doce ás colheradas. Este aspecto é importante, não se limitem a apenas despejar o creme no prato.
Polvilha-se a superfície abundantemente com canela, e vai ao forno previamente aquecido ao máximo.
Retira-se quando começar a abrir fendas e a crescer à volta do prato.


Notas:

A receita original diz que quando o creme vai ao lume a engrossar deverá ver-se o fundo do tacho, eu no entanto acho que a textura do doce fica mais agradável se não se deixar engrossar tanto. De qualquer das formas aqui fica a nota para quem quiser respeitar.

Fonte: “Cozinha tradicional portuguesa” da editorial Verbo.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Entrecosto à portuguesa

Cozinhar no forno agrada-me bastante, não só pelo sabor e aparência dos cozinhados, mas também pelo tempo livre que nos deixa para fazer outras coisas, seja pôr a mesa, ou arrumar a confusão nas bancadas, ou até tomar um duche antes do jantar e assim chegar à mesa com aspecto radioso e boa disposição.
A receita deste molho é tão antiga quanto me lembro, faz parte da tradição do tempero português.


Versão de impressão e arquivo desta receita: aqui


Usei:

750 g de entrecosto
1 cabeça de alhos
Sal a gosto
1 c sopa de massa de pimentão
2 c sopa de vinho branco
Azeite a gosto
1 c café de pimenta preta em grão

Fiz assim:

No almofariz coloquei os alhos descascados com o sal e a pimenta e pisei até fazer pasta.
Juntei a massa de pimentão e o vinho e incorporei.
Barrei a carne com o preparado e deixei a repousar durante algum tempo.
Pré aqueci o forno a 220º, coloquei a carne em assadeira e por cima deitei um fio de azeite.
Vai ao forno coberto com folha de alumínio até a carne ficar tenra, retira-se o papel de alumínio e deixa-se tostar.

Notas:

O tempo de repouso da carne não é exacto vai depender muitas vezes do tempo disponível para tal, pode temperar a carne de véspera, ou apenas com 30 minutos de antecedência, claro que a intensidade dos sabores não será o mesmo.
Experimente substituir o vinho branco por vinho do Porto.
Se não tiver massa de pimentão use colorau.
Atenção ao sal, pois a massa de pimentão é salgada.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Marmore de chocolate e laranja

Ao tempo que a “piolha” me andava a pedir bolo mármore, não me estava mesmo nada a apetecer um bolo seco mas também não estava naqueles dias de grandes inspirações, por isso lá veio à “baila” o tradicional chocolate e para acompanhar, o sabor refrescante da laranja.
O bolo não cresce muito, por isso se pretenderem um bolo maior dupliquem as quantidades da receita.

Versão de impressão e arquivo desta receita: aqui


Usei:

175g de açúcar branco
175g de manteiga ou margarina
3 Ovos
175g de farinha
4 c sopa de chocolate em pó
1 c chá de fermento
2 c sopa de rum
Raspa e sumo de 1\2 laranja

Fiz assim:

Numa tigela, bate-se o açúcar com a manteiga até obter um creme.
A pouco e pouco vai-se juntando os ovos ligeiramente batidos, sempre sem parar de bater, embora mais suavemente.
Incorpora-se a farinha peneirada com o fermento e divide-se a massa em duas partes.
Aromatiza-se uma delas com o chocolate e o rum, e a outra com o sumo e raspa da laranja.
Prepara-se uma forma redonda sem buraco untando-a com margarina e polvilhando com farinha, vai-se deitando colheradas alternadas de ambas as misturas, no final faça movimentos circulares com um garfo para conferir ao bolo o aspecto marmorizado.
Leve ao forno previamente aquecido a 190º durante 45 minutos, antes de retirar faça o teste do palito.
Deixe arrefecer um pouco antes de desenformar.

Notas:

Comentário de aperciação da
"piolha":
Bem... a laranja sabe mesmo bem com o chocolate!
Pode decorar o bolo com um glacê feito com sumo de laranja e açúcar de pasteleiro, e por cima fios de chocolate derretido.
Pode substituir o rum por leite, ou a laranja por limão.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Tres cabeças amarelas

Como a minha querida Migas desvendou o mistério mas se esqueceu de dizer que a “Casa das caralhotas”onde almoçamos uma cada um e ficamos bem aconchegados, encerra ás segundas-feiras, aqui está a informação ali mesmo em cima da cabecinha amarela nº 3, a minha “piolha”, a cabeça amarela nº 2 é esta vossa amiga eu mesmo, e por exclusão de partes a numero 1 a blogueira do Migas com gindungo.
Suponho que devem de estar para aí a pensar: “mas que raio de coisa é aquela que elas dizem que comeram, e que têm aquele nome que-eu-me-recuso-a-pronunciar?”

Eu digo-vos:

Caralhotas são pães caseiros de formato individual, esses pães quando bem recheados de carne grelhada na brasa e molho de alho e manteiga, têm o mesmo nome.
Claro que isto só acontece e se diz por aqui por Almeirim.

Um dia tiro foto para vos mostrar.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Carne de porco à alentejana

Mais um prato típico português, que me lembrei especialmente por causa do meu amigo secreto que recebeu de presente um pote de massa de pimentão e não sabe o que fazer com ele. Por isso deixo aqui um apelo, passem pelo prato fundo e deixem as vossas sugestões ao Vítor Hugo. Tenho a certeza que ele agradece e vocês vão adorar a visita.

Versão de impressão e arquivo desta receita: aqui

Usei:

600g de lombo de porco
½ Chouriço de carne ou umas fatias de paio
1 Kg de amêijoas com casca
6 Batatas grandes cortadas em cubos
Massa de pimentão para envolver a carne
4 Dentes de alho
2 Folhas de louro
Cominhos moídos
1 Copo de vinho branco
1 c sopa de banha de porco
1 fio de óleo
1 limão

Fiz assim:

Corta-se a carne em cubos, e numa tigela envolve-se na massa de pimentão.
Junta-se os alhos cortados e laminas, as folhas de louro partidas ao meio, polvilha-se com os cominhos e rega-se com o vinho.
Deixa-se assim a carne a marinar durante 8 a 12 horas.
Coloque as amêijoas de molho em água com um pouco de sal, retire as que estão abertas.
Frite as batatas em óleo quente, polvilhe com sal fino e reserve.
Leve ao lume uma frigideira larga e funda, (pode ser um wok) com a banha e o óleo.
Frite ligeiramente o chouriço cortado ás rodelas, junte a carne com a marinada e deixe alourar bem.
Junte as amêijoas escorridas e lavadas, reduza o lume e tape para as amêijoas abrirem.
Envolva depois as batatas fritas, e sirva com gomos de limão.

Notas:

Descarte sempre as amêijoas abertas quando cruas e fechadas depois de cozinhadas.Não se indica na receita o uso de sal, pelo motivo de a massa de pimentão e o enchido já serem temperados com este, aconselha-se assim a rectificar o tempero a gosto.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Bolo de laranja com sementes de papoila


Esta fantástica receita que diferente de tudo o que poderão imaginar, é da minha amiga Pipoka, uma das contribuidoras do apetitoso blog: Three fat ladies.
Já vos disse várias vezes que gosto muito de usar sementes nos meus ensaios culinários, por isso como resistir a esta maravilha.
No entanto tenho de referir uma falha, o bolo tem um defeito: não se auto regenera, por isso quando acaba temos de ir para a cozinha e fazer outro!

Versão de impressão e arquivo desta receita: aqui

Usei:

4 c sopa de sementes de papoila
1 laranja
1 iogurte natural (125g)
185 g de manteiga amolecida
220g de açúcar branco
3 ovos
250g de farinha para bolos com fermento

Fiz assim:

Misturar as sementes de papoila com 3 c sopa do sumo da laranja e o iogurte.
Deixar esta mistura repousar durante 1 hora.
Bate-se a manteiga com a raspa da laranja até ficar uma mistura de aspecto parecido com maionese, clara e fofa.
Ir juntando o açúcar aos poucos batendo sempre. Adicionar depois os ovos um a um batendo entre cada adição.
Alterna-se depois entre a adição da farinha peneirada e a mistura de iogurte e sementes.
Levar ao forno pré aquecido a 180º, em forma untada, durante 35 minutos.
Após este tempo, desliguei o forno e deixei ficar o bolo durante mais 10 minutos.
Voltei a forma sobre uma grade até amornar e assim desenformar.
Esperei arrefecer antes de cortar, mas a tentação foi grande tal era o aroma.

Notas:

Nada a acrescentar a tão nobre receita, por isso aqui ficam as palavras da autora:
“ O segredo deste bolo é bater bem todos os ingredientes, de preferência sem usar máquina.
Mas vejam as coisas pelo lado positivo, quanto mais calorias gastarem a bater a massa, mais fatias podem comer!"
Receita original
aqui!



sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Broa de milho e centeio

De algum tempo para cá tenho vindo a realizar ensaios na tentativa de conseguir recrear a deliciosa e tradicional broa de milho.
A primeira experiência correu muito bem em termos de sabor mas não se aproximou do resultado pretendido, pois graças a uma desatenção usei farinha de milho pré cozida e a massa não levedou.
A receita que abaixo apresento é uma das versões tradicionais, ainda não é a broa amarelinha que procuro, mas é muito boa, cá em casa já ganhou adeptos o que quer dizer que vai ser feita mais vezes.

Versão de impressão e arquivo desta receita: aqui



Usei:

3 Chávenas de farinha de milho integral
2 Chávenas de farinha de trigo para pão
1 Chávena de farinha de centeio
25 g de fermento fresco
sal & água q.b.
mais um pouco de farinha de trigo para juntar ao fermento
sêmola de milho para polvilhar

Fiz assim:

Dissolvi o fermento num pouco de água morna, juntei um pouco de farinha e misturei até ficar com consistência de massa mole.
Deixei a repousar até formar bolhas.
Coloquei água a aquecer com o sal, para este dissolver e deixei amornar.
Num alguidar deitei as farinhas, abri cova ao meio e deitei o fermento, fui misturando a farinha no fermento alternando com água temperada de sal até obter uma massa moldável.
Amassa-se muito bem e quando estiver macia, forma-se uma bola, traça-se uma cruz na massa e deixa-se repousar em lugar aquecido com o alguidar coberto até a cruz desaparecer.
Volta-se a amassar mais um pouco, tendem-se as broas do tamanho pretendido, achatam-se um pouco e com uma faca faz-se uns cortes, pincela-se o topo com água e polvilham-se com sêmola.
Colocam-se as broas em tabuleiro polvilhado e deixam-se repousar mais um pouco.
Pré aquece-se o forno ao máximo. Quando estiver quente borrifa-se com água e coloca-se o pão.
Passados 10 minutos, reduz-se a temperatura do forno para 180º, o pão está cozido quando ao bater na base provoca um som oco.

Notas:

Não é aconselhável fazer este pão na máquina, pois as farinhas resultam numa massa muito pesada.
O fermento fresco pode ser substituído por fermento seco, neste caso é adicionado à farinha sem necessidade de ser dissolvido.
Esta receita rende 2 broas.
Por curiosidade: A minha avó ao fazer a cruz no pão, (para saber quando é que a massa estava finta), dizia a seguinte oração:
“Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Deus te acrescente no forno e a graça de Deus cresça pelo mundo fora.”


quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Caldeirada de bacalhau


Bacalhau é sinónimo de Portugal, (isto parece um spot publicitário), é dos ingredientes mais versáteis na nossa cozinha. por isso livros inteiros são dedicados a receitas apenas de bacalhau.
Por motivos de gosto pessoal, os sabores que acompanham o bacalhau devem ser básicos, e foi por isso que me lembrei desta caldeirada.

Versão de impressão e arquivo desta receita: aqui


Usei:

4 postas de bacalhau demolhado
2 cebolas
3 dentes de alho
1 pimento vermelho
1 lata de tomate pelado
1 folha de louro
1 copo de vinho branco
6 ou 8 batatas
Sal & pimenta
Azeite
½ ramo de salsa

Fiz assim:

Corte cada uma das postas de bacalhau em 2 ou 3 pedaços.
Descasque as batatas e corte em rodelas grossas, corte o pimento em tiras, a cebola em rodelas e o alho em fatias.
Num tacho de fundo largo, deite um pouco de azeite e em camadas disponha: as cebolas, os alhos, o pimento, o bacalhau, as batatas e o tomate. Tempere com a folha de louro, o sal (atenção ao sal do bacalhau) e a pimenta. Regue com o vinho e tape o tacho.
Deixe cozinhar lentamente em lume brando, abanando o tacho de vez em quando para não pegar ao fundo.
Antes de servir, polvilhe com a salsa picada, ou coentros se preferir.

Notas:

È preferível confeccionar este prato em tacho anti aderente.
Pode também usar a cataplana ou um wok largo com tampa.
Substitua as tiras de pimentão por uma colher de sopa de massa de pimentão desfeita no vinho.