quarta-feira, 30 de julho de 2008

Magret (peito de pato) com molho de framboesa

O meu arbusto de framboesa está doente. Cortei umas folhas amarelecidas e levei-as à loja agrícola para mostrar ao engenheiro que para tristeza minha me disse que a planta tinha sido atacada pelo míldio e eu teria de a curar com um químico xpto qualquer, eu muito triste (mais parecia que estava no veterinário com um animal), disse-lhe: “mas eu não quero usar químicos e venenos nas minhas plantas.” Resposta do Sr. Eng.º : ” Mas toda a gente usa!” Eu: “Toda a gente não, eu não uso. A natureza vai ter de seguir o seu rumo natural.” E vim embora tristinha. O Sr. Engenheiro ficou indiferente, embora não tivesse vendido os químicos para curar o míldio, tinha a certeza que para a próxima Primavera eu voltaria para comprar um novo arbusto de framboesa.
Felizmente antes de adoecer a planta deu frutos suficientes para eu armazenar e fazer esta maravilha.

Versão de impressão e arquivo desta receita: aqui.


Usei:

2 Peitos de pato
3 c sopa de vinagre de framboesa ou de frutos silvestres.
+- 1 chávena de framboesas frescas ou congeladas
2 c sopa de compota de framboesa
1 c sopa de manteiga
sal grosso
pimenta preta moída

Fiz assim:

Faça cortes cruzados na pele do magret sem chegar à carne.
Coloque uma mão cheia de sal grosso numa frigideira, e quando estiver quente, coloque os magrets sobre o sal com a pele para baixo. Mantenha-os em lume médio durante 7 minutos, tempere com pimenta moída na hora.
Retire os magrets, descarte o sal e a gordura que se formou.
Volte a colocar a frigideira no lume, e coloque novamente os magrets desta vez do lado da carne, deixe selar durante 3 ou 4 minutos. (mais se gostar bem passado).
Retire os magrets e deslace os sucos com o vinagre. Junte as framboesas e esmague-as com um garfo, junte a compota, a manteiga e os sucos que entretanto os magrets libertaram, mexa até estar bem ligado. Rectifique o sal.
Sirva os magrets fatiados com o molho.

Notas:

Se gosta do magret mais bem passado, embrulhe-o em folha de alumínio e leve ao forno pré aquecido a 180º durante 7 minutos.
Para eliminar o gosto excessivo da gordura, esfregue a pele com um limão cortado ao meio.
Fonte: sentido do gosto.
Veja a receita do vinagre de frutos silvestres.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Cataplana de atum fresco

A cataplana é um dos meus tachos de ensaio.
Parente da tajine, é na realidade duas panelas côncavas que unem na perfeição e permitem cozinhar rápido, com muito pouco liquido e gorduras mantendo o sabor dos alimentos.
Esta receita é da revista Saberes & sabores que no mês de Junho publicou um artigo sobre a cataplana e uma série de receitas para nela serem confeccionadas.
Só vos digo que o atum e a cataplana entendem-se muito bem, e esta foi uma refeição deliciosa.



Versão de impressão e arquivo desta receita: aqui.


Usei:

500g de batatinhas novas
Sal a gosto
600g de tomate maduro
2 Cebolas
½ Pimento verde
½ Pimento vermelho
Azeite q.b.
1 Folha de louro
1 Malagueta vermelha
400g de atum fresco (lombo cortado em medalhões)
1,5 dl de vinho branco
Orégãos

Fiz assim:

Coza as batatas no vapor, ou se preferir em água temperada de sal.
Escalde e pele os tomates, retire-lhes as sementes, e corte em pedaços pequenos.
Descasque as cebolas e corte em meias luas.
Corte os pimentos em tiras, retirando as membranas e as sementes.

Deite o azeite na cataplana, junte a cebola, a folha de louro e a malagueta. Cozinhe em lume brando até a cebola amolecer.
Disponha por cima as tiras de pimento e o atum, tempere de sal e por cima espalhe o tomate, regue com o vinho, feche a cataplana e deixe cozinhar durante 15 minutos.

Abra a cataplana, deite as batatinhas e sacuda, polvilhe com os orégãos, volte a tapar e deixe suar 5 minutos.

Retire do lume e sirva.

Notas:

Se optar por cozer as batatas na cataplana junto com os outros ingredientes, corte-as ao meio.
Veja também:
Cataplana de peixe.
Fonte: Saberes & Sabores – Junho 2008

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Gelado de plátano com nozes caramelizadas

As minhas tias que vivem no Canadá costumam trazer-me este delicioso néctar que é o xarope de plátano ou xarope de bordo, vulgarmente conhecido como maple syrup.
A maneira como vulgarmente o usamos é sobre crepes ou talassas (waffles), e ninguém pode negar que se trata de uma generosa e deliciosa dádiva da natureza.
A receita que hoje vos proponho é de um gelado escandalosamente delicioso, digo-vos que fiz o gelado num dia para o jantar e no dia seguinte já não restava nada para contar a história.
Pode facilmente encontrar o xarope de plátano à venda em lojas de produtos naturais.


Versão de impressão e arquivo desta receita: aqui.


Receita para 4 doses


Usei:

1 dl de xarope de plátano (maple syrup)
3 gemas
2 dl de natas pasteurizadas (min. 30% gord.)
60 g de miolo de noz
açúcar branco granulado q.b.


Fiz assim:


Pique as nozes grosseiramente.
Numa frigideira antiaderente deite o açúcar, (a quantidade suficiente apenas para cobrir o fundo com uma camada fina), e leve ao lume. Quando começar a caramelizar deite as nozes e envolva com colher de pau, retire do lume antes que escureça. Deixe arrefecer.
Deite o preparado depois de frio numa tábua de cozinha, e parta em pedaços pequenos. Reserve.

Num tacho não muito pequeno, ferva o xarope de plátano durante 3 ou 4 minutos.
(Este procedimento vai fazer que o xarope fique mais espesso depois de frio).
Retire do lume e reserve.
Bata as gemas em banho-maria até ficarem volumosas, vá deitando o xarope morno e em fio, e continue a bater até ficar com cor de caramelo claro.
Retire do Banho-maria, transfira para outra tigela, e continue a bater até arrefecer. Para ajudar o arrefecimento pode colocar a tigela sobre uma outra com gelo.
Bata as natas e junte-as delicadamente ao preparado das gemas como o xarope.
Adicione as nozes caramelizadas (reserve algumas para servir) e envolva.

Se tiver sorveteira:
Coloque o preparado na sorveteira até o gelado atingir a consistência desejada.

Método tradicional:
Coloque o preparado em caixa com tampa e leve ao congelador.
Este gelado não precisa ser batido, nem retirado com antecedência do congelador antes de servir. Fica sempre cremoso.

Notas:

È importante caramelizar as nozes em frigideira anti-aderente, caso contrário o caramelo depois de frio fica colado ao fundo e não sai. A opção é transferir o caramelo quente para a pedra da bancada ligeiramente untada de óleo, deixar arrefecer e depois partir.

Veja também: Iogurte gelado de banana e mel.
Fonte: Gelados & sorvetes – Bernice Hurst

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Peru marinado em laranja e ervas

A vantagem de cozinhar alimentos marinados é que com apenas uns minutos de preparação prévia, confeccionam-se pratos deliciosos de uma forma rápida, e se a confecção for no forno, como neste caso, dispensa também a vigilância deixando tempo para a preparação de um acompanhamento diferente, ou uma sobremesa mais elaborada.
Mais uma vez as ervas frescas representam o papel principal nesta receita, a companhia da laranja realça o sabor sem disfarçar o aromas das “verdinhas”.


Versão de impressão e arquivo desta receita: aqui.

Usei:

1 perna e coxa de peru

Marinada:

1 c sopa de manjerona fresca picada
1 c sopa de tomilho fresco picado
1 c sopa de alecrim fresco picado
sumo de 2 laranjas
1 dl de vinho branco
3 c sopa de azeite
3 dentes de alho pisados
sal e pimenta preta de moinho

Fiz assim:

Retire a gordura e corte os tendões da perna de peru.
Coloque-a num saco de congelação ou num recipiente.
Misture muito bem todos os ingredientes da marinada, e deite sobre a carne.
Deixe marinar pelo menos durante 4 horas, melhor ainda: de um dia para o outro.
Mantenha no frigorífico.
Retire a carne da marinada, e coloque em recipiente de ir ao forno.
Coloque em forno quente (200º).
Volte a peça a meio da coacção, e se necessário vá regando com o liquido da marinada.
O tempo de forno vai depender do tamanho da peça, pelo menos 45 a 50 m.
Desligue do forno, e deixe repousar 20 minutos antes de servir, para apurar os sabores.

Notas:

Marinada quase universal, pode ser usada em carne, peixe, aves e legumes.
Acompanhe com
batatinhas salteadas ou grão de bico e cenourinhas especiais.
Inspirei-me
nesta receita do blog: Garfo e copo.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Salada de bulgur com arandos secos

Depois de ter feito os queques de arando e laranja, sobrou uma mão cheia de arandos secos, (dry cramberries), depois do ensaio doce, queria agora provar os arandos numa receita salgada.
Decidi-me por uma salada, pois nesta altura do ano elas são presença constante à mesa.
Ainda bem, gostei muito, ao ponto de não vos ser capaz de dizer se a minha preferência vai para o doce ou para o salgado.
Não coloquei nenhum molho, pois para mim ficou perfeito assim, apenas o sabor do azeite com as cebolinhas e o sumo de limão a temperar os frutos secos e bulgur que esteve quase a ser trocado pelo trigo-sarraceno.

Versão de impressão e arquivo desta receita: aqui.

Usei:

1 Chávena de café de bulgur
½ Chávena de chá de arandos secos
2 c sopa de pinhões
2 c sopa de nozes
1 Cebolinha nova
Sal & pimenta
Sumo de ½ limão
Azeite

Fiz assim:

Hidratar o bulgur juntamente com os arandos em caldo quente da sua preferência, ou apenas em água, durante pelo menos 4 horas, (se for mais não faz mal).
Escorrer e reservar.
Numa frigideira de fundo espesso e de preferência anti-aderente, torrar ligeiramente os pinhões e as nozes picadas de forma grosseira. Retire do lume e reserve.
Na mesma frigideira, deitar um fio de azeite, quando estiver bem quente, deitar a cebolinha picada e deixar murchar.
Junte o bulgur e os arandos e salteie durante uns minutos, até os sabores incorporarem.
Tempere com um pouco de sal e pimenta preta acabada de moer, e incorpore os frutos secos.
Regue com o sumo de limão, envolva e sirva morno.

Notas:

Se não encontrar arando seco, substitua por passas de uva, não é que seja parecido em sabor mas tem quase a mesma consistência e combina muito bem com o bulgur, as nozes e os pinhões.
Caldos caseiros,
aqui.
Outras saladas com sêmolas:
Couscous com grão de bico, bulgur com sementes e legumes, quinoa com especiarias.
Adaptado daqui.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Bolo cremoso de cenoura

Este bolo é mais uma das receitas antigas do meu caderninho de infância.
Foi dada à minha mãe por uma amiga da família, no entanto a minha mãe nunca a colocou em prática, na altura deve ter desconfiado dos ingredientes pois a cenoura não era ainda usada com frequência para doces, mas eu com a minha curiosidade inata deitei mãos à obra e fiz o bolo, o sucesso foi tal que ainda hoje é "O bolo de cenoura" cá de casa.
As pepitas e a cobertura são opcionais, não preciso de vos explicar o porquê de comigo serem obrigatórias, não é?!


Versão de impressão e arquivo desta receita: aqui.

Usei:

3 cenouras
3 ovos
½ chávena de óleo de girassol ou colza
1 iogurte natural
3 chávenas de açúcar amarelo
3 chávenas de farinha
1 c chá de canela
1 c chá de fermento para bolos
1 embalagem de pepitas de chocolate amargo (opcional)
Chocolate meio amargo em barra fundido para cobrir (opcional)


Fiz assim:

Ralar as cenouras.
No copo de batidos, ou com a varinha mágica, colocar a cenoura, os ovos, o óleo, e o iogurte. Triturar tudo até obter um preparado homogéneo.
Peneire a farinha com o fermento e a canela para dentro de uma tigela, e misture o açúcar.
Deite o preparado de cenoura e envolva muito bem sem bater com uma espátula de borracha.
Misture as pepitas de chocolate, e deite o preparado numa forma de buraco ao meio, devidamente untada e polvilhada.
Leve ao forno pré aquecido a 180º durante +- 45 m, (teste com o palito).
Desenforme depois de arrefecer.
A cobertura é o chocolate puro que depois de fundido em banho-maria é deitado de forma irregular sobre o bolo.

Notas:

A receita original não leva iogurte e canela, esses ingredientes foram adicionados por conta do meu gosto pessoal.
O bolo fica húmido e muito macio, convém desenformar só depois de ter arrefecido, se usar uma forma de silicone essa tarefa ficará muito facilitada.

Veja também:
delicias de legumes.

Micro pormenores

São 12.
São micro.
São cortadores de massa, de pasta de açúcar, de legumes…
São lindos!!!
E eu estou apaixonada e frustrada por não ser decoradora de bolos.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Filetes de linguado em papelotes de ervas

A técnica de cozinhar em papelotes é muito usada cá em casa, as vantagens têm sido aqui enumeradas à medida que as receitas vão aparecendo.
Hoje a sugestão é de filetes de linguado, mas isso não quer dizer que não resulte com outro peixe.
O meu jardim de ervas este ano foi muito generoso comigo, então tenho tentado usufruir dele ao máximo, o funcho é das ervas que melhor combinam com o peixe, combinado com citrinos confere um aroma e paladar fresco ideal para os dias de Verão.


Versão de impressão e arquivo desta receita: aqui.

Usei:

6 filetes de linguado
mostarda à moda antiga (com grãos) a gosto
1 limão
1 c sopa de funcho
1 c sopa de tomilho
1 c sopa de cerofóleo
1 c sopa de cebolinho
pimenta preta de moinho
sal
azeite q.b.

Fiz assim:

Se os filetes forem muito compridos, corte-os ao meio.
Prepare os papelotes, cortando rectângulos de folha de alumínio suficientemente grandes para fechar hermeticamente cada pedaço de peixe.
Pincele cada um dos papelotes com a mostarda.
Pique as ervas finamente.
Disponha os filetes, um em cada papelote. Tempere de sal e pimenta, polvilhe com a mistura de ervas, por cima disponha uma rodela de limão e regue com um pequeno fio de azeite.
Feche o papelote, e leve ao forno (180º) durante 15 a 20 minutos.
Sirva com arroz de ervilhas.

Notas:

A combinação de ervas pode ser alterada conforme o gosto individual.
Tome cuidado ao abrir os papelotes, pois o vapor libertado pode provocar queimaduras.
Veja também:
misturas de ervas aromáticas.